segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Ninguém é insubstituível.

Sexta passada, tive um "coaching" com a gerência e sai da conversa com meus valores alterados por não aceitar a posição totalmente equivocada de um certo senhor. Passei o finla-de-semana pensando na conversa e hoje recebo este mail abaixo.

Pode parecer um texto piegas e taus, mas precisamos avaliar melhor o nosso valor e não apenas aceitar os defeitos que todo mundo teima em joga rna nossa cara, todos os dias.

Ninguém é insubstituível. 
*Celia Spangher

A sala de reunião de uma multinacional o CEO nervoso fala com sua equipe de gestores. Agita as mãos, mostra gráficos e olhando nos olhos de cada um ameaça:"ninguém é insubstituível" . A frase parece ecoar nas paredes da sala de reunião em meio ao silêncio. Os gestores se entreolham, alguns abaixam a cabeça. Ninguém ousa falar nada.

De repente um braço se levanta e o CEO se prepara para triturar o atrevido:

- Alguma pergunta?

- Tenho sim. E o Beethoven?

- Como? - o CEO encara o gestor confuso.

- O senhor disse que ninguém é insubstituível e quem substitui o Beethoven?


Silêncio.

Ouvi essa estória esses dias, contada por um profissional que conheço e achei muito pertinente falar sobre isso. Afinal as empresas falam em descobrir talentos, reter talentos, mas, no fundo continuam achando que os profissionais são peças dentro da organização e que quando sai um é só encontrar outro para por no lugar.

Quem substitui Beethoven? Tom Jobim? Ayrton Senna? Ghandi? Frank Sinatra? Dorival Caymmi? Garrincha? Michael Phelps? Santos Dumont? Monteiro Lobato? Faria Lima ? Elvis Presley? Os Beatles? Jorge Amado? Paul Newman? Tiger Woods? Albert Einstein? Picasso?

Todos esses talentos marcaram a História fazendo o que gostam e o que sabem fazer bem - ou seja - fizeram seu talento brilhar. E portanto são sim insubstituíveis.

Cada ser humano tem sua contribuição a dar e seu talento direcionado para alguma coisa. Está na hora dos líderes das organizações reverem seus conceitos e começarem a pensar em como desenvolver o talento da sua equipe focando no brilho de seus pontos fortes e não utilizando energia em reparar "seus gaps".

Ninguém lembra e nem quer saber se Beethoven era surdo, se Picasso era instável, Caymmi preguiçoso, Kennedy egocêntrico, Elvis paranoico.

O que queremos é sentir o prazer produzido pelas sinfonias, obras de arte, discursos memoráveis e melodias inesquecíveis, resultado de seus talentos.

Cabe aos líderes de sua organização mudar o olhar sobre a equipe e voltar seus esforços em descobrir os pontos fortes de cada membro. Fazer brilhar o talento de cada um em prol do sucesso de seu projeto.

Se você ainda está focado em "melhorar as fraquezas" de sua equipe corre o risco de ser aquele tipo de líder que barraria Garrincha por ter as pernas tortas, Albert Einstein por ter notas baixas na escola, Beethoven por ser surdo e Gisele Bundchen por ter nariz grande.

E na sua gestão o mundo teria perdido todos esses talentos.

3 comentários:

Tomas Waldow disse...

Ótima reflexão. O interessante é de uma certa forma somos "chefes" de alguém. Seja em casa ou no trabalho.

Eric Lúcio disse...

Muito pertinente essa questão. MAs no mundo de hoje parece que não se pode mais "esperar" para descobrir ou desenvolver seu talento, o que é aceito como "talento" se chama diploma. Acho que poucos aindam acreditam na idéia de talento.

Leandro disse...

Eu arriscaria dizer que "talento", é a capacidade de alguém gerar bons lucros, seja lá como for. E só.